Reunião aconteceu na sede do Governo e reuniu representantes de diversos órgãos para alinhar ações diante dos efeitos ambientais, sociais e na saúde da população amazonense
O Amazonas combateu mais de 21 mil focos de incêndio na capital e no interior entre junho e outubro deste ano. Para a população, os efeitos são sentidos no dia a dia, com a cidade encoberta por fumaça, afetando a rotina e a saúde. Diante desse cenário, a Defensoria Pública do Amazonas (DPAM) participou, nesta quarta-feira (14/10), de uma reunião com representantes dos Poderes e de outros órgãos para debater e alinhar uma atuação conjunta diante dos impactos dos incêndios florestais e da estiagem no estado.
Para o defensor público geral, Rafael Barbosa, a presença da instituição tem o objetivo de buscar respostas conjuntas para os efeitos da crise ambiental sobre a população amazonense, principalmente na área da saúde, em que as pessoas mais vulneráveis, como crianças e idosos, sofrem mais.
“A Defensoria Pública tem o compromisso de proteger as pessoas e garantir direitos. Chamamos a atenção para a necessidade de um olhar especial para a saúde da população, principalmente das pessoas que já possuem doenças respiratórias crônicas, como bronquite e insuficiência respiratória, que podem ter seus quadros agravados pela fumaça das queimadas. Colocamos nosso Núcleo de Defesa da Saúde à disposição do Governo do Estado para desenvolver ações de conscientização e orientação, ajudando a população a se proteger neste momento de crise”, destacou.
A instituição também conta com o projeto Sementes do Amazonas, que tem uma proposta de conscientização ambiental e social em escolas públicas, privadas e espaços comunitários da capital e do interior. Desde o início da iniciativa, em julho deste ano, escolas de Manaus, Humaitá, Eirunepé e Itacoatiara receberam o projeto.
“Esta é uma iniciativa permanente da Defensoria, que busca conscientizar crianças e adolescentes sobre o impacto das queimadas e dos incêndios florestais, muitos deles provocados pela ação humana. Precisamos mostrar para as novas gerações que a destruição ambiental afeta a qualidade do ar, a saúde e até a expectativa de vida da população”, afirmou Rafael Barbosa.
“Nossa instituição tem levado essas iniciativas também a espaços de discussão internacional, demonstrando que é possível desenvolver ações permanentes de enfrentamento às mudanças climáticas”, completou.

Cenário de incêndios e estiagem exige atuação coordenada
Dados do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), referentes ao período de 1º de junho a 12 de outubro, apontam 3.575 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais. No mesmo período, foram combatidos 21.766 focos de incêndio, sendo 4.532 na capital e 17.234 no interior do estado.
A estiagem também mantém o estado em situação de alerta. Conforme atualização de 13 de outubro, 32 municípios estão em situação de emergência, 15 em alerta e outros 15 em atenção. Nenhum município se encontra na classificação de normalidade.
Integração entre instituições
Além da Defensoria Pública, participaram da reunião o presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), desembargador Jomar Fernandes; a presidente do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), conselheira Yara Lins; a procuradora-geral de Justiça do Ministério Público do Amazonas (MP-AM), Leda Mara; e o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputado Adjuto Afonso.
Texto: Camila Andrade
Fotos: Luiz Felipe Santos / DPAM e Orlando Júnior
