Projeto sobre a crise ambiental na tríplice fronteira amazônica é reconhecido no Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça 2026
A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) venceu, na categoria “Relacionamento com a Mídia”, o Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça, promovido pelo Fórum Nacional de Comunicação e Justiça (FNCJ). A premiação foi entregue durante o Congresso Nacional de Comunicação e Justiça (Conbrascom), realizado na Paraíba, na última sexta-feira, evento que reúne assessores de Comunicação de instituições do sistema de justiça de todo o país.
O reconhecimento foi conquistado com o projeto “Defensoria pauta debate internacional sobre crise sanitária e ambiental na tríplice fronteira”, que deu visibilidade nacional à atuação da Instituição na busca por cooperação internacional para enfrentar a poluição do rio Javari, provocada por um lixão flutuante na fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia.
O trabalho nasceu a partir de um problema até então restrito ao cenário regional: um lixão a céu aberto no Peru, que passou a contaminar rios que deságuam no Amazonas, afetando diretamente comunidades ribeirinhas brasileiras. A situação envolvia, ao mesmo tempo, uma crise ambiental, uma violação de direitos humanos e um impasse diplomático internacional, cenário diante do qual a Defensoria assumiu protagonismo institucional e comunicacional.





“Esse reconhecimento nacional confirma que a comunicação, quando bem articulada, é também um instrumento de garantia de direitos. Transformamos um problema que afetava diretamente comunidades ribeirinhas em um debate de alcance nacional e internacional, e isso só foi possível pela integração entre a atuação jurídica e a comunicação estratégica da Defensoria”, afirma o Defensor Público Geral do Amazonas, Rafael Barbosa.

De acordo com a diretora de comunicação Luana Carvalho, a estratégia da Diretoria de Comunicação priorizou uma atuação ativa, e não reativa, junto à imprensa, com foco em veículos de alcance nacional e relacionamento direto com jornalistas estratégicos. A equipe estruturou pauta exclusiva para a TV Globo, viabilizou o acesso a uma área de difícil logística, levou equipe ao local afetado e garantiu entrevistas com ribeirinhos, resultando em reportagem de forte impacto humano e visual, exibida no Jornal Nacional.
O tema também ganhou destaque na coluna do jornalista Carlos Madeiro, no UOL, além de cobertura na Folha de S.Paulo, n’O Globo e no G1, com repercussão sobre a contaminação dos rios, o impacto direto em comunidades brasileiras e a dimensão internacional do problema.
“Esse prêmio é fruto de um trabalho de relacionamento próximo e qualificado com a imprensa, construído ao longo do tempo. Levar o caso do lixão transfronteiriço para os maiores veículos do país exigiu articulação, estrutura de campo e, principalmente, a certeza de que essas famílias ribeirinhas mereciam ser ouvidas em escala nacional”, destaca a diretora de Comunicação da DPE-AM, Luana Carvalho.
A combinação entre dados técnicos e jurídicos, histórias de ribeirinhos afetados, imagens do impacto ambiental e o enquadramento do caso como uma crise internacional ampliou o interesse editorial dos veículos e a repercussão do tema, que passou a integrar a agenda pública nacional.
Este ano, a Defensoria também foi finalista em outras duas categorias do prêmio. Na categoria “Projeto Gráfico”, a exposição “Sem Medo de Viver” foi reconhecida por retratar, por meio de fotografias e relatos, histórias de mulheres que romperam o ciclo da violência e reconstruíram suas vidas com o apoio da Defensoria Pública, por intermédio do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem).


Já na categoria “Reportagem Escrita”, foi selecionada a matéria “Câmara idealizada pela Defensoria transforma vida de família manauara que lutava por diagnóstico”, do jornalista Luciano Falbo. A reportagem mostra como a atuação da Câmara de Resolução Extrajudicial de Litígios da Saúde (Crels) garantiu o diagnóstico e o acesso ao tratamento de um menino após anos de espera na rede pública, evidenciando o impacto social da iniciativa.
Esta é a segunda vez que a Defensoria do Amazonas figura entre os finalistas do Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça. Em 2025, a Instituição também foi indicada com o hotsite “Histórias que se Cruzam”, na categoria “Mídia Digital”; com a reportagem “Líder indígena de 71 anos conquista duas novas seções eleitorais para a Terra Indígena Andirá-Marau”, na categoria “Reportagem Escrita”; com a exposição “Sem Medo de Viver”, na categoria “Projeto Gráfico”; e com a matéria “Câmara idealizada pela Defensoria transforma vida de família manauara que lutava por diagnóstico”, também na categoria “Reportagem Escrita”.
Em sua 20ª edição, a premiação registrou recorde de participação, com 421 projetos inscritos por 75 instituições de 24 estados. O tema deste ano foi “O poder da comunicação na reputação da Justiça”.
Texto: Luana Carvalho
Foto: Divulgação
