‘Papo por Elas’ discute violência de gênero com estudantes da rede pública de Manaus

Uma frase publicada na internet pode parecer apenas mais um comentário em meio a milhares de outros. Para a estudante Ana Clara Souza, de 15 anos, discutir essas mensagens dentro da sala de aula é uma oportunidade de olhar para comportamentos que podem estar tão presentes no dia a dia que acabam passando despercebidos. Ela foi uma das 40 adolescentes que participaram, nesta quarta-feira (26/8), de mais uma edição do projeto “Papo por Elas”, da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPAM), na Escola Estadual Roderick Castelo Branco, no bairro São José.
Projeto da Defensoria levou para a sala de aula discussões que repercutem nas redes sociais para debater consentimento, assédio e comportamentos naturalizados com adolescentes

Uma frase publicada na internet pode parecer apenas mais um comentário em meio a milhares de outros. Para a estudante Ana Clara Souza, de 15 anos, discutir essas mensagens dentro da sala de aula é uma oportunidade de olhar para comportamentos que podem estar tão presentes no dia a dia que acabam passando despercebidos. Ela foi uma das 40 adolescentes que participaram, nesta quarta-feira (26/8), de mais uma edição do projeto “Papo por Elas”, da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPAM), na Escola Estadual Roderick Castelo Branco, no bairro São José.

“Essa conversa é importante no âmbito escolar, porque muitas pessoas vêm das suas casas com um pensamento machista, que acaba estando nas nossas mentes no dia a dia, de uma forma que nós nem percebemos às vezes”, afirma Ana Clara.

Assédio, consentimento, machismo e comportamentos naturalizados nas relações foram alguns dos pontos abordados durante a atividade. O bate-papo teve como ponto de partida uma dinâmica com comentários retirados de postagens e notícias que repercutiram nas redes sociais, como “se ela disse não, é só insistir mais um pouco”, “ele só passou a mão sem querer, estão exagerando” e “vai lá, mostra que tu é macho”.

Um debate para a formação

No início da conversa, Ana Clara acompanhava a discussão mais quieta, atenta às falas dos colegas. Quando chegou sua vez de ler uma das frases, porém, entrou no debate para expressar a sua opinião. A adolescente destaca que é nesse período de formação que os jovens podem conhecer outras perspectivas e questionar ideias que chegam até eles pelas redes sociais e por outros espaços de convivência.

“É muito importante que essa ideia seja transmitida para a gente logo cedo, porque estamos em um momento de formação do nosso caráter. Acho muito importante que a Defensoria Pública venha estar entrando em contato com os jovens para que a gente possa abrir a nossa mente para outras situações”, comenta Ana Clara.

A reflexão também ganhou espaço entre os meninos. Bryan Nellyson, de 16 anos, foi um dos participantes mais engajados ao longo da dinâmica e destacou uma das questões que mais o fizeram pensar: a forma como a sociedade pode responsabilizar quem sofreu a violência.

“A frase que mais me fez refletir foi: por que o pessoal coloca a vítima como uma vilã? Hoje em dia, isso é um fato, porque na nossa sociedade muitas pessoas não olham o lado da vítima. Mas, no caso, é para nós defendermos a vítima, porque a vítima não tem culpa de nada. O culpado mesmo foi quem praticou aquele ato”, conta Bryan.

Escola como espaço de transformação

De acordo com a diretora da Escola Estadual Roderick Castelo Branco, Roseane Vargas Batista, a importância da iniciativa dentro do espaço escolar está no fato de que os estudantes também constroem, nesse ambiente, referências para a vida em sociedade.

“É uma pauta não só da escola, mas da sociedade. Quando a gente traz essa pauta para dentro da escola, isso muda a vida, transforma a realidade. Os alunos começam a compreender o seu lugar e o seu papel na sociedade”, ressalta a diretora.

Roseane também considera importante aproximar os estudantes de instituições que atuam na defesa de direitos.

“A sociedade tem que estar dentro da escola para dar exemplos, trazer discussões, debates e ouvir os alunos. Os professores não podem carregar o fardo sozinhos. Quando vem essa pauta extracurricular, ela faz muita diferença”, pontua.

Projeto ‘Papo por Elas’

Realizado pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas, por meio do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem), em parceria com a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc), o projeto “Papo por Elas” foi desenvolvido em 2019 com o objetivo de percorrer diferentes escolas das redes pública e privada com atividades de educação em direitos.

A iniciativa conta com profissionais do Nudem das áreas jurídica, de serviço social e de psicologia para debater com os alunos aspectos da violência contra a mulher, como identificar e reconhecer situações de violência, enfrentá-las e onde buscar orientação quando necessário.

Atuação da Defensoria na rede de proteção

O Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem) é responsável por garantir que a legislação e os mecanismos de proteção das amazonenses em situação de vulnerabilidade sejam cumpridos.

Com uma equipe 100% feminina, composta por psicóloga, assistentes sociais e defensoras, o núcleo realiza atendimento humanizado e individualizado e está disponível para prestar assistência e orientação jurídica a mulheres que necessitam de acesso à Justiça.

O Nudem fica localizado na Avenida André Araújo, nº 7, bairro Adrianópolis, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h. O agendamento pode ser feito presencialmente no núcleo ou pelo WhatsApp da Defensoria: (92) 98559-1599.

Texto: Aline Ferreira
Fotos: Lucas Silva / DPAM

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