Defensoria apura falhas estruturais nos serviços oftalmológicos da rede pública do Amazonas

Cancelamentos reiterados de consultas, agendas bloqueadas para novos agendamentos e demora na realização de exames estão entre os problemas que levaram a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) a instaurar Procedimento Coletivo para apurar possíveis falhas estruturais na oferta de serviços oftalmológicos da rede pública de saúde do Estado.
Problemas envolvem cancelamentos reiterados de consultas, agendas bloqueadas para novos agendamentos e demora na realização de exames

Cancelamentos reiterados de consultas, agendas bloqueadas para novos agendamentos e demora na realização de exames estão entre os problemas que levaram a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) a instaurar Procedimento Coletivo para apurar possíveis falhas estruturais na oferta de serviços oftalmológicos da rede pública de saúde do Estado.

O coordenador do Núcleo de Defesa da Saúde (Nudesa), Arlindo Gonçalves, explica que a unidade tem recebido um número crescente de demandas relacionadas ao atendimento oftalmológico. Segundo o defensor, em alguns casos, pacientes chegam à Defensoria após longos períodos de espera, quando o quadro já se agravou e a perda visual pode ter se tornado irreversível.

“No nosso atendimento diário, temos reclamações reiteradas de diversos problemas que colocam em risco a saúde dos pacientes. Algumas pessoas já chegam à Defensoria com a perda visual e outras perdem durante o processo judicial”, afirmou.

A situação também tem contribuído para o aumento da judicialização da saúde. Pacientes que não conseguem acesso aos serviços pela via administrativa acabam recorrendo à Justiça para obter consultas, exames ou tratamentos, transferindo para o Judiciário a solução de um problema que deveria ser resolvido pela própria rede de saúde.

Atendimento às crianças e adolescentes

Ainda de acordo com o defensor público, a situação preocupa especialmente quando envolve crianças e adolescentes, que têm prioridade absoluta no acesso às políticas públicas de saúde.

Por isso, a Defensoria solicitou à Secretaria de Estado de Saúde (SES) dados sobre o número de pacientes pediátricos que aguardam atendimento fora do Estado, o tempo de espera, a classificação de risco e as providências adotadas para viabilizar o Tratamento Fora de Domicílio (TFD), além das medidas de contingência para casos urgentes.

“A portaria dedica uma seção inteira apenas para esse grupo vulnerável, porque a demora no atendimento e na realização de procedimentos pode comprometer o desenvolvimento visual dessas pessoas logo no início da vida e provocar a perda permanente da visão”, destacou.

Encaminhamentos da Defensoria

A Defensoria também pediu à SES informações sobre a estrutura e a capacidade da rede oftalmológica, incluindo unidades e prestadores, número de profissionais, equipamentos, oferta de consultas, exames e cirurgias, além de dados de produção dos últimos 24 meses. Com isso, a instituição quer verificar contratos, metas e medidas adotadas para garantir a continuidade do atendimento após o descredenciamento ou a suspensão de serviços.

Ao Complexo Regulador, a Defensoria pediu dados atualizados sobre as filas de oftalmologia, incluindo número de pacientes, tempo de espera, classificação de risco e demandas urgentes ou emergenciais pendentes.

O defensor explica que o Procedimento Coletivo está em fase de investigação e, a partir das informações coletadas com a SES-AM, será possível adotar outras medidas.

“Faremos um diagnóstico da rede com as informações coletadas e poderemos adotar medidas coletivas típicas da Defensoria, como recomendação administrativa a gestores e tratativas para regularização das falhas, por exemplo”, concluiu.

Texto: Thamires Clair
Fotos: Arquivo/ DPE-AM

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