Iniciativa, que integra o projeto “Pupa”, da Defensoria do Amazonas, aconteceu no Centro Socioeducativo Dagmar Feitoza
O teatro foi a ferramenta utilizada pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) para promover uma reflexão sobre saúde mental para 18 adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa. Nesta sexta-feira (31/07), os jovens socioeducandos do Centro Socioeducativo Assistente Social Dagmar Feitoza assistiram à peça “Sua Dor Importa”, do grupo teatral Tia Dina, que abordou temas como depressão, ansiedade e a importância do cuidado com a saúde mental.
A iniciativa faz parte do projeto “Pupa”, criado a partir das palestras do programa “Ensina-me a Sonhar”, desenvolvido pela Defensoria no Centro Socioeducativo Assistente Social Dagmar Feitoza. O projeto reúne ações afirmativas voltadas ao desenvolvimento social, emocional e pessoal dos adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa.
Para a defensora pública e uma das coordenadoras do programa “Ensina-me a Sonhar”, Monique Cruz, a arte possui o potencial de transformar a realidade de quem vive no espaço socioeducativo, e a Defensoria cumpre sua missão social ao levar temas atuais para serem debatidos no local.
“Trazer essa outra visão, através da arte, é muito importante para o desenvolvimento deles. Com essa atividade, a Defensoria vai além de trabalhar na defesa judicial e passa a atuar na transformação na vida desses adolescentes. Os projetos são novas oportunidades que eles têm para saírem daqui com novas perspectivas”, destacou.


Intervenção social por meio da arte
Com o olhar atento em toda a apresentação, Carlos* destacou que sempre participa das ações promovidas pela Defensoria no local. Fora do Dagmar Feitoza, ele nunca tinha assistido a nenhuma peça de teatro. Após assistir à apresentação do grupo Tia Dina, disse que agora se considera um fã de carteirinha da arte.
“Lá fora, nunca tive nenhum tipo de contato com a arte, inclusive o teatro. Aqui dentro, eu senti que várias portas se abriram para mim, que eu sou uma nova pessoa. Eu fiquei muito emocionado com a apresentação, porque senti que falou sobre o que precisamos ouvir. A Defensoria nos ajuda muito quando traz essas coisas para cá, porque traz acolhimento para a gente”, ressaltou.
De acordo com a diretora do Dagmar Feitoza, a parceria com a Defensoria Pública traz diversos retornos para a instituição, entre eles a mobilização dos adolescentes para encontrarem, nas atividades, um apoio no processo de ressocialização.
“É um momento de reflexão, e o Pupa sempre traz novos temas e novas atividades para os socioeducandos. A Defensoria está conosco desde 2017 e sempre trabalha esse lado mais acolhedor e humano com os meninos, mostrando para todos que eles possuem suas individualidades e sonhos, indo muito além da medida socioeducativa”, disse.






Com 10 anos de carreira no teatro, Orleilson Saraiva foi o responsável por dirigir o espetáculo. Para a peça apresentada no local, quatro atores e uma sonoplasta integraram a equipe. Juntos, passaram a mensagem de esperança que queriam, conforme explica o diretor.
“Passamos uma mensagem muito importante sobre a saúde mental, de que todos eles são uma grande rede de apoio. É um tema forte, que precisa ser debatido, porque muitas pessoas sofrem em silêncio. Passar essa mensagem através da arte simboliza muito para a gente, pois quem sabe não teremos futuros artistas saindo daqui”, disse.
Texto: Camila Andrade
Fotos: Luiz Felipe Santos/DPE-AM
