Defensoria Pública alerta para alta nos feminicídios e cobra reforço na rede de atendimento no Amazonas

Defensora pública Caroline Braz, coordenadora do Nudem, fala sobre a importância da atuação conjunta entre órgãos públicos, para segurança feminina
A defensora pública Caroline Braz afirmou que o enfrentamento ao feminicídio exige atuação integrada, investimento público contínuo e compromisso efetivo com a segurança das mulheres

Durante a abertura do 2º Fórum Estadual de Políticas para as Mulheres do Amazonas, a defensora pública Caroline Braz, coordenadora do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem) da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), destacou o recorde nacional de 1.568 feminicídios em 2025, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), no relatório “Retrato dos Feminicídios no Brasil”. Diante da alta de 4,7%, ela cobrou a consolidação da rede de acolhimento e a aplicação efetiva das leis de proteção. 

De acordo com a defensora, enfrentar o feminicídio exige ação coordenada entre os órgãos públicos, investimento contínuo e compromisso permanente com a segurança das mulheres. Caroline Braz também destacou a necessidade de centralizar os serviços de atendimento como forma de evitar a revitimização. 

“Queremos deixar o pleito da Defensoria pela urgência da construção da Casa da Mulher Brasileira, me dói atender mulheres que já passaram por inúmeros órgãos e estão desistindo por falta de apoio. A proposta é reunir, em um único espaço, Defensoria, Delegacia da Mulher, Tribunal de Justiça, Ministério Público e demais instituições, para garantir um atendimento digno e integrado”, pontuou a defensora pública. 

“Os números mostram que 87% das mulheres vítimas de feminicídio não tinham boletim de ocorrência nem medida protetiva. Isso indica que as mulheres que conseguem entrar na rede de proteção têm mais chances de sobreviver. Por isso, é fundamental orientar para que denunciem e busquem ajuda”, acrescentou. 

Caroline Braz enfatizou que o acesso à informação ainda é um obstáculo. 

“Muitas mulheres não sabem da existência da Casa Abrigo, não sabem que hoje a gente já está trabalhando com as tornozeleiras. Quando entram na rede, passam a conhecer seus direitos e as alternativas disponíveis”, completou a coordenadora do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher. 

Fórum Estadual de Políticas para as Mulheres do Amazonas

A segunda edição do Fórum Estadual de Políticas para as Mulheres do Amazonas ocorreu nesta sexta-feira (27), no Palacete Provincial, no Centro de Manaus. Promovido pela Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), por meio da Secretaria Executiva de Políticas para as Mulheres (SEPM), o encontro reuniu representantes do poder público estadual, secretarias municipais e organismos voltados à pauta em diferentes municípios. 

A programação incluiu painéis técnicos organizados a partir de quatro eixos: autonomia econômica e igualdade no trabalho; educação para a igualdade, com enfoque antirracista e não sexista; saúde integral e direitos sexuais e reprodutivos; e prevenção e enfrentamento às violências contra as mulheres. 

Texto e fotos: Aline Ferreira

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