Evento acontece até o dia 29 e vai reunir lideranças comunitárias, convidados e representantes sociais
Moradores da comunidade Praia do Marisco, localizada no Distrito 2, receberam, na tarde desta quarta-feira (27/05), uma visita da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) e do Fórum Amazonense de Reforma Urbana (Faru). A ação deu partida ao início do “Encontro Moradia e Justiça Climática – Conflitos Socioambientais em Favelas e Comunidades”, que acontece entre os dias 27 e 29 de maio, em Manaus.
A iniciativa tem o objetivo de promover debates, trocas de experiências e reflexões sobre moradia, justiça climática e os conflitos socioambientais enfrentados pelas favelas e comunidades. Entre os participantes estão lideranças comunitárias, representantes sociais, convidados e participantes envolvidos na causa.
Na abertura das atividades, realizada na comunidade Praia do Marisco, moradores puderam apresentar as dificuldades enfrentadas no local, como falta de acesso a políticas públicas e abandono da infraestrutura do espaço das moradias.




De acordo com o defensor público e titular da Defensoria Pública Especializada em Interesses Coletivos (DPEIC), Carlos Almeida, escolher uma comunidade para realizar a abertura do evento é dialogar diretamente com quem convive com as mazelas sociais.
“O trabalho da Defensoria não é apenas realizar ações judiciais, precisamos estar presentes onde a população necessita do nosso atendimento, e é por isso que acompanhamos essa comunidade. O Fórum promovido pela nossa instituição é importante exatamente por isso, pois nos permite levar a realidade do Amazonas para todo o Brasil”, destacou.
Para o coordenador nacional da Central de Movimentos Populares, Raimundo Rodrigues, que acompanhou a visita, escutar os moradores que vivem nas favelas e comunidades de Manaus é um passo importante para a discussão ao longo dos dias no Fórum.
“O trabalho que a Defensoria Pública está realizando aqui é muito valioso e humano. Sozinhos, nós não caminhamos, por isso é importante essa parceria da Defensoria com os movimentos sociais”, ressaltou.
Mãe de 3 filhos pequenos, Juliana Souza, de 35 anos, mora há dois anos na comunidade. Entre as muitas dificuldades vividas no local, ela ressalta a falta do direito de ir e vir com as suas crianças.




“Quando chove, tudo aqui alaga e fica difícil para a gente. As crianças não conseguem ir para a escola, a gente não consegue sair para o trabalho e o trajeto fica perigoso por causa da lama. A Defensoria vir aqui e colocar o pé na lama com a gente, entender a nossa dor, isso é tudo”, disse.
Programação
A programação segue, nesta quinta-feira (28/05), no auditório da Defensoria, com debates entre estudantes, pesquisadores e representantes do Executivo e Legislativo. Entre os convidados estão a arquiteta e urbanista, vice-presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas (CAU/AM) no triênio 2024–2026, Melissa Toledo; o professor do Departamento de Geografia da UFAM, Marcos Castro de Lima; a professora do Centro de Ciências do Ambiente da UFAM, Caroline Nogueira, entre outros.
O encerramento acontece no dia 29 de maio, com a participação dos defensores públicos Carlos Almeida, da Defensoria Pública Especializada em Interesses Coletivos (DPEIC), e Thiago Rosas, coordenador do Núcleo de Moradia e Atendimento Fundiário (NUMAF). A programação ainda inclui uma palestra da coordenadora-geral da Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (COPIME), Marcivana Rodrigues Paiva Sateré Mawé.
Texto: Camila Andrade
Fotos: Luiz Felipe Santos/DPE-AM
