A Instituição apresentou sua atuação sobre o tema durante o primeiro dia de uma capacitação destinada a profissionais de saúde do município de São Gabriel da Cachoeira
A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) está em São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro, realizando uma série de ações voltadas à assistência materna e ao enfrentamento à violência obstétrica. Na quarta-feira (20/5), a Instituição apresentou sua atuação sobre o tema durante o primeiro dia de uma capacitação destinada a profissionais de saúde do município. A atividade integra a programação do Comitê de Enfrentamento à Violência Obstétrica.
Durante a apresentação, as defensoras públicas Caroline Souza e Suelen Paes Menta explicaram o papel institucional da Defensoria no acompanhamento de casos relacionados à violência obstétrica e na garantia dos direitos humanos das mulheres, além de apresentar aos participantes as práticas que caracterizam a violência obstétrica.
Integrante do Comitê de Enfrentamento à Violência Obstétrica, a defensora pública Suelen Paes Menta destacou a importância da qualificação contínua das equipes de saúde e do registro das falhas existentes na rede de atendimento.
“Falamos da necessidade dos profissionais fazerem os registros das falhas que acontecem e reportarem à gestão tudo aquilo que precisa ser corrigido, para que nada falte às gestantes. Foi uma tarde muito proveitosa, eles tiraram dúvidas e falaram sobre a realidade desafiadora do município, especialmente pelas questões culturais e especificidades de cada comunidade indígena”, afirmou.
A capacitação reúne profissionais da saúde que atuam no município e nas áreas indígenas, promovendo debates sobre assistência obstétrica, pré-natal, planejamento familiar, manejo de urgências obstétricas e atendimento humanizado.


O enfermeiro e coordenador da Atenção Básica, Cleberson Fernandes da Silva, ressaltou que os encontros permitem avaliar os desafios enfrentados pela rede de saúde e aprimorar os atendimentos, levando em consideração a realidade geográfica e cultural de São Gabriel da Cachoeira, que exige estratégias específicas de atendimento.
“Quando vemos os dados apresentados, conseguimos identificar onde estamos acertando e onde precisamos corrigir falhas. É um aprendizado muito importante para os profissionais que atuam tanto na área indígena quanto no município, onde grande parte da população é indígena e há um fluxo constante de migração para a cidade”, afirmou.
A médica Ucuriti de Sousa Pinheiro, que irá atuar na região do Alto Rio Negro, destacou a importância da formação para os profissionais recém-chegados ao território.
“Vamos trabalhar em áreas com 23 etnias e a realidade lá é muito diferente da cidade. Uma coisa é a teoria, outra é a prática, então vamos aprender muito no dia a dia”, afirmou.


Visita técnica
Ainda na quarta-feira, uma comitiva realizou uma visita técnica no Hospital de Guarnição de São Gabriel da Cachoeira, onde realizou uma escuta com os profissionais do local para entender as especificidades dos pacientes.
De acordo com a defensora Caroline Souza, o comitê esteve no município em 2022 e constatou uma realidade estrutural muito deficiente.
“Hoje nos deparamos com uma realidade muito melhor nas dependências físicas da unidade, e isso já é um ponto muito positivo. Porém, apesar dos avanços, destacamos que ainda existem desafios relacionados à logística e ao financiamento da assistência de média complexidade no município.
São 780 comunidades indígenas espalhadas pelo território. A maioria da população não se concentra na sede do município, então é preciso garantir assistência nas comunidades e também condições para que essas mulheres consigam chegar ao hospital em casos de urgência”, explicou.
As atividades seguem até sexta-feira (22/5), com palestras, rodas de conversa e alinhamentos institucionais voltados ao fortalecimento da rede de atenção à saúde materna e à prevenção da violência obstétrica em São Gabriel da Cachoeira.
Entre os primeiros encaminhamentos discutidos durante as atividades, está a construção de um fluxo de atendimento às vítimas de violência sexual no município.
Texto e fotos: Karine Pantoja / DPE-AM
