Iniciativa da Defensoria do Amazonas estimula o diálogo e a responsabilidade parental para garantir o bem-estar de crianças e adolescentes
Depois de anos de união estável, Vanessa Ribeiro, de 35 anos, e Everton Teixeira, de 36, precisaram reaprender a cuidar dos dois filhos, de 14 e 12 anos, após a decisão de seguir caminhos diferentes. Nesta segunda-feira (21), os dois estiveram no auditório da sede da Defensoria Pública do Amazonas (DPAM) para participar de mais uma edição do projeto “Filhos Para Sempre”, que orienta pais em processo de separação sobre a convivência familiar e responsabilidades com os filhos.
Para Vanessa, a oportunidade foi necessária para deixar as discordâncias de lado e voltar a olhar para aquilo que os dois ainda têm em comum: os filhos. “Hoje eu tive um choque de realidade muito grande. Nós temos algumas discordâncias, como pai e mãe, mas aqui nós esquecemos um pouquinho de tudo que passou e voltamos a pensar de novo nos nossos filhos”, contou.
Os dois se conheceram ainda na adolescência e, durante os anos juntos, construíram uma família. Com o fim da relação, a guarda dos filhos inicialmente ficou com Vanessa. Como ela trabalhava por longos períodos fora de casa, percebeu que os filhos não estavam conseguindo se adaptar à mudança.
Foi então que os dois decidiram, por conta própria, reorganizar a rotina das crianças, que passaram a ficar com o pai. A mudança atendeu às necessidades daquele momento, mas também trouxe novos desafios para Everton e Vanessa, o que motivou a ida do ex-casal à Defensoria.
Importância de discutir a corresponsabilidade
Tranquilo e disposto a corrigir os erros na convivência familiar, Everton Teixeira entendeu que a preocupação também está nas pequenas situações que fazem parte do dia a dia. Para ele, os combinados entre os pais precisam ser cumpridos porque as crianças criam expectativas em torno deles.
“Na vida das crianças vai mudar muito, principalmente na questão de regularizar os horários, os dias. Eles ficam contando com isso. Então, aquele horário tem que ser cumprido. Se eu falo que a gente vai sair em determinada hora, eles já estão arrumados. Se eu não vou, eles ficam frustrados, ficam com raiva, ficam chateados”, declarou o pai.
Mesmo com a nova organização, algumas discordâncias permaneceram. Durante o encontro do projeto, o ex-casal se deparou com temas que fazem parte da realidade vivida pelos dois, como a alienação parental, a necessidade de preservar a convivência com os filhos e a disponibilidade para se fazer presente durante o crescimento das crianças.
“Eu não afirmo que sou a pessoa mais certa do mundo e preciso rever alguns comportamentos meus e tentar melhorar da melhor forma possível. Nossos filhos são o que restou de uma história que foi bonita, em que fomos felizes, mas que não deu certo. Independentemente de qualquer coisa, nós os temos e é por eles que nós precisamos fazer dar certo”, afirma Vanessa.
Filhos Para Sempre
Desenvolvido pela Defensoria Pública do Amazonas, o projeto “Filhos Para Sempre” reúne pais e mães que vivem em conflito para conversar sobre guarda, pensão alimentícia, convivência e responsabilidade parental. A proposta é promover educação em direitos antes da conciliação e auxiliar os participantes na construção de uma nova dinâmica familiar, que envolve, principalmente, o bem-estar dos filhos.
De acordo com o coordenador do projeto, o 1º subdefensor público geral, Helom Nunes, a convivência familiar pode ser desafiadora, mas permanece necessária para o desenvolvimento das crianças e dos adolescentes.
“Nós procuramos abordar a indispensabilidade da convivência familiar. Sabemos que conviver é algo muito desafiador, porém indispensável. E esperamos que pai e mãe possam sair daqui com essa reflexão. Embora existam desafios, é indispensável que a criança, que o ser humano, possa crescer convivendo”, pontuou o defensor.
Nos últimos anos, o projeto tem ampliado o acesso das famílias a conteúdos sobre coparentalidade. Criado em setembro de 2023, o projeto já passou por diferentes etapas de expansão. Em 2024, foram realizadas 14 edições, com 714 participantes. No ano seguinte, foram 19 edições e 1.070 participações, com 92% de acordos extrajudiciais entre o público.
Texto : Aline Ferreira
Fotos : Chris Nascimento/DPAM
