Defensoria dos estados e do Distrito Federal padroniza comunicação para fortalecer atuação conjunta

Manual de Redação da Defensoria Pública deve ser utilizado por todas as instituições do Brasil
Manual de Redação da Defensoria Pública deve ser utilizado por todas as instituições do Brasil

Uma comunicação mais acessível e padronizada. Esse é o objetivo do Manual de Redação da Defensoria Pública, lançado pelo Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos Gerais (Condege), e que será utilizado como base de comunicação para todas as instituições Brasil a partir de agora, visando unificar a atuação da Defensoria.

A Defensoria Pública brasileira é o maior sistema público de assistência jurídica do mundo. Mais de 175 milhões de pessoas são elegíveis aos serviços da instituição, o equivalente a 82% da população do Brasil. Diante disso, o manual propõe estratégias de fortalecimento de marca, orienta boas práticas e a adoção de uma comunicação mais acessível ao público-alvo da Defensoria.

Elaborado durante dois anos pelo Condege, o material foi uma colaboração de membros e servidores da Coordenadoria de Comunicação. O lançamento do documento acontece em um momento estratégico para a Defensoria Pública. Após a aprovação da Política Nacional de Comunicação, a instituição também tem se destacado no Prêmio de Comunicação do Fórum Nacional de Comunicação e Justiça (FNCJ).

Principais mudanças

A Defensoria Pública atua em diversas áreas do Direito e oferece, de forma integral e gratuita, assistência e orientação jurídica para pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica. Essa atuação inclui a defesa em processos judiciais, orientação sobre direitos e deveres, além da atuação em questões extrajudiciais, como mediações e conciliações.

Em todo o Brasil, o papel desempenhado pela Defensoria é o mesmo e, por isso, a padronização da comunicação foi implementada para unificar ainda mais o trabalho realizado por equipes de comunicação, defensores públicos, servidores e imprensa.

A partir de agora, a Defensoria Pública deve adotar a sigla padrão DP, acompanhada pela sigla do estado e sem hifenização. No caso da instituição do Amazonas, a nova sigla será DPAM, em substituição à DPE-AM, utilizada anteriormente.

A padronização aproxima a Defensoria Pública dos demais órgãos do sistema de justiça, que já utilizam como padrão a sigla relativa à instituição em conjunto com a sigla do seu estado.

Em relação ao público atendido, o manual recomenda utilizar os termos pessoa assistida/assistido, evitando o termo usuário, que carrega estigmas e preconceitos ligados a pessoas com transtornos por uso de substâncias. Falar ou escrever “atende aos pobres e pessoas carentes” também está entre as restrições, sendo o mais recomendado “pessoas vulnerabilizadas ou em situação de vulnerabilidade”.

O serviço prestado pela Defensoria é independente, autônomo e gratuito e sua atuação vai além da assistência jurídica, promovendo cidadania e justiça social. Por esta razão, recomenda-se não usar “pra quem não pode pagar advogado”, pois minimiza as outras atuações a pessoas em situação de vulnerabilidade e reduz o atendimento apenas à questão financeira.

Para a nomenclatura padrão de cargos da Defensoria, ficou definida a utilização de “defensor público geral”, sem hífen e com todas as palavras em minúsculo. No entendimento da Academia Brasileira de Letras (ABL), esta é a forma mais adequada, pois “defensor público” já constitui o nome do cargo, enquanto “geral” atua apenas como um qualitativo do cargo.

Integração que vai além da Comunicação Institucional

O Manual de Redação é uma das mudanças implementadas, em 2026, para padronizar os serviços ofertados pela instituição. Em agosto, a Defensoria Pública da União (DPU), Conselho Nacional de Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (CONDEGE), a Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos Federais (ANADEF) e a Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (ANADEP) assinaram um Acordo de Cooperação Técnica para formalizar o lançamento do Fórum Nacional Interinstitucional da Defensoria Pública (FONIDEP), marco histórico para o fortalecimento do modelo público de acesso à justiça.

O Fórum tem como objetivo defender e unificar o posicionamento da Defensoria Pública em proposições legislativas, além de criar regramentos referenciais, definir estratégias conjuntas e atuar, de modo intransigente, na defesa das prerrogativas das defensoras e defensores públicos.

Texto: Camila Andrade
Fotos: Luiz Felipe Santos/DPAM

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