‘Meu Pedaço de Chão’: Defensoria impulsiona regularização fundiária para moradores da Zona Norte

Assistida sendo atendida pelo projeto Meu Pedaço de Chão
Mutirão de Regularização Fundiária acontece na Área Missionária de Santa Margarida de Cortona, no bairro Cidade de Deus, até esta quarta-feira (15/04)

Moradores da Zona Norte da capital receberam, nesta terça-feira (14/04), orientação jurídica sobre regularização fundiária durante mutirão realizado pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM). A ação faz parte do projeto ‘Meu Pedaço de Chão’, coordenado pelo Núcleo de Moradia e Atendimento Fundiário (Numaf), e acontece até amanhã (15/04) na Área Missionária de Santa Margarida de Cortona, localizada na rua São Martinho, nº 773, bairro Cidade de Deus.

De volta ao bairro onde foi realizado o lançamento oficial do projeto na capital em fevereiro deste ano, o defensor público e coordenador do Numaf, Thiago Rosas, explica a importância de estar presente e próximo à população para entender as principais dificuldades para a titulação de suas terras.

“As pessoas que estão em atendimento já possuem sua casa, mas não possuem a segurança jurídica, ou seja, o documento que comprova que a casa é, de fato, delas. A Defensoria vem justamente para suprir essa documentação e acompanha todos até o final do procedimento”, destacou.

Considerada a quarta maior favela do país segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o bairro Cidade de Deus possui mais de 50 mil moradores, distribuídos entre 10 mil residências. A maior parte dos terrenos se enquadra dentro dos critérios para a realização do processo de Regularização Fundiária Urbana (Reurb).

A luta pelo título definitivo

Em setembro de 1996, a Cleonice Rodrigues, 55, se mudou do Pará para o Amazonas e encontrou no bairro Cidade de Deus um lar. Com o marido e quatro filhos, ela trava uma batalha há anos em busca do título definitivo do imóvel.

“Viemos em busca de uma vida melhor em Manaus e foi aqui que construímos nosso lar. Continuamos aqui e soubemos da ação da Defensoria Pública e vamos buscar regularizar porque não basta ter a casinha, precisamos dizer que ela é nossa”, declarou.

Diante das dificuldades enfrentadas no dia a dia, Cleonice também agradeceu o apoio que recebeu da equipe da Defensoria presente na ação. “Senti que fui olhada e escutada. Isso não tem preço para mim e para todo mundo aqui porque mostra que estão reconhecendo nossa luta e nossos direitos”, acrescentou.

A poucas ruas de distância da ação mora a Edina Maria, 51, residente do bairro há mais de 30 anos. No local, ela criou os dois filhos e construiu uma rede de apoio com os vizinhos. Mesmo com tanto tempo de história no bairro, para ela ainda falta o principal: o documento que garante a posse da sua casa.

“Tudo que a gente precisa fazer em relação à casa perguntam sobre o título definitivo e, infelizmente, não temos. Todo o processo aqui com a Defensoria está sendo maravilhoso porque estou sentindo confiança que vai dar certo e estou fazendo tudo de graça”, disse.

Próximas ações

Na capital, os atendimentos seguirão no bairro Cidade de Deus até dezembro, com datas pré-determinadas para os mutirões mensais. Já no interior, os municípios de Iranduba, Manacapuru, Careiro Castanho, Itacoatiara, Autazes, Silves e o distrito de Novo Remanso recebem os mutirões entre os meses de abril e dezembro, também com datas pré-definidas para os atendimentos.

Sobre o projeto

Criado e coordenado pelo Numaf, o projeto “Meu Pedaço de Chão” tem como objetivo promover a regularização fundiária de ocupações informais em Manaus e na Região Metropolitana por meio da ação de usucapião, assegurando a titulação ou regularização documental de famílias em situação de vulnerabilidade, além do acesso à infraestrutura urbana essencial.

O projeto está identificando e mapeando as ocupações informais passíveis de regularização, verificando quais se enquadram nos critérios para a ação de usucapião dentro do escopo da Lei da Regularização Fundiária (13.465/2017) e quais possuem maior urgência de ação.

Texto: Camila Andrade
Fotos: Camila Andrade e Marcus Bessa / DPE-AM

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