Diverso, grupo de empossados conta com mulheres amazonenses, ex-estagiárias da instituição e até ex-assistido
A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) deu posse a cinco novos defensores nesta sexta-feira (10), durante solenidade na sede do Governo do Estado, no bairro Compensa, Zona Oeste de Manaus.
Os empossados reforçarão a atuação da instituição, especialmente no interior do Estado — uma das prioridades da atual gestão, liderada pelo Defensor Público Geral, Rafael Barbosa.
“Os cinco novos colegas vão diretamente para o interior, vão reforçar nossas equipes, que já estão nos municípios mais distantes da capital, nos municípios menores, que têm dificuldade de acesso e com vulnerabilidades muito à flor da pele. Então, os defensores são cinco novos focos de esperança que nós vamos ter no interior”, ressaltou Rafael Barbosa, durante a cerimônia de posse.
“O nosso compromisso realmente é pintar de verde (cor da Defensoria Pública dentro do Sistema de Justiça) todo o Estado do Amazonas e hoje é mais um passo. Não é o primeiro, nem vai ser o último, mas é mais um passo importante nessa direção”, acrescentou.
O governador interino Roberto Cidade destacou a importância do trabalho da Defensoria Pública para a população mais vulnerável. Ele se colocou à disposição para reforçar a infraestrutura de trabalho da instituição. “A perspectiva é muito boa, que a gente possa encontrar um caminho de entendimento e dar nossa contribuição. Parabéns aos novos defensores”, disse.
Dos cinco novos defensores, três são mulheres amazonenses: Camila Assunção Cavalcante, Natália Feitosa de Almeida e Stefany Coimbra Schmidt, que, durante a solenidade, leu um discurso emocionante representando os empossandos. Também tomaram posse a paranaense Daiane Ayumi Kassada e o paraense Evilásio Rodrigo Ferreira da Costa.







Expectativas
Ex-estagiária da DPE-AM, Stefany Schmidt disse que assumir o cargo de defensora é a dupla realização de um sonho. “Exatamente por ser amazonense e saber que a partir de agora, vou poder compor os quadros da Defensoria para trabalhar nesse projeto coletivo de sociedade, no sentido de garantir mais direitos para nossa população, que às vezes é tão segregada do acesso a garantias fundamentais”, declarou.
Evilásio Costa contou ter uma forte identificação com a missão constitucional da Defensoria. “Eu já fui assistido. Sou oriundo de periferia. Nasci e cresci na periferia. Sou oriundo de escola pública, também fiz faculdade pública. Então, para mim é uma expectativa grande, é também um sonho realizado”, disse.
Para Daiane Kassada, assumir o cargo vai ser desafiador. “Isso porque eu venho de lugar bem diferente, do Sul do país. Já passei por Brasília, mas é a primeira vez que eu vou morar na região Norte, na Amazônia”, disse. “Estou bem animada para poder vivenciar isso da melhor maneira possível e para contribuir da melhor maneira possível, para dar uma assistência jurídica adequada e qualificada à população amazonense”, disse.
Camila Cavalcante construiu uma história dentro da Defensoria Pública do Amazonas, onde foi estagiária e atuou como servidora comissionada e analista concursada. “Me tornar defensora é como se estivesse fechando um ciclo profissional muito importante e atingindo um ápice dentro da instituição do meu Estado. Meu sonho sempre foi ser defensora pública, mas ser defensora pública no meu Estado. Poder proporcionar uma assistência efetiva, de qualidade ao meu povo é ainda mais gratificante, além de tudo que eu ousei sonhar durante a minha vida”, disse.





Natália Almeida está de volta ao Amazonas após anos morando em outros estados com o propósito de aplicar 12 anos de experiência jurídica na promoção da dignidade e dos direitos da população vulnerável amazonense. “Saber que eu vou contribuir com o acesso à justiça, sobretudo no interior do Estado, é algo muito gratificante”, disse.
“Eu estou muito empolgada, feliz, aberta e disposta a ir para absolutamente qualquer lugar do Amazonas. Afinal, essa é a minha missão, não só profissional como missão de vida. A Defensoria para mim é um sonho que vai além de uma realização profissional. É algo que faz sentido para a minha alma. Então, independentemente de para onde eu for, eu vou estar muito feliz”, concluiu.
Concurso
Os novos defensores públicos do Amazonas foram aprovados no 5º Concurso para membros da DPE-AM.
O certame, organizado pela Fundação Carlos Chagas (FCC), teve edital publicado em 21 de março de 2025. As provas objetivas foram aplicadas em 15 de junho, seguidas das etapas discursivas em 18 de agosto e das provas orais, realizadas entre os dias 21 e 23 de novembro do ano passado. O resultado final foi divulgado em 6 de fevereiro deste ano.
O concurso, que teve um total de 60 aprovados, prevê preenchimento inicial de 10 vagas, das quais cinco foram preenchidas com os membros empossados nesta sexta-feira, com possibilidade de novas nomeações conforme a necessidade da instituição e a disponibilidade orçamentária. A validade é de dois anos, contados a partir da homologação do resultado, podendo ser prorrogada por igual período, a critério da DPE-AM.


Interiorização
Em 2016, a Defensoria Pública do Amazonas iniciou o processo de interiorização estruturada, com a inauguração dos primeiros polos fora da capital.
No período entre 2024 e 2025, a DPE-AM avançou na expansão, com a inauguração de 12 novas unidades e nomeação de 35 servidores e 15 defensores aprovados no 4º Concurso para membros, além da realização do 5º Concurso.
Entre sedes próprias, espaços alugados e cedidos, atualmente a instituição conta com unidades físicas em 33 dos 61 municípios do interior. Mais três novas unidades devem ser inauguradas nos próximos meses.
Com a chegada dos novos defensores, a DPE-AM totaliza 154 membros em atividade. Ao todo, são 78 vagas não preenchidas.
Além de 50 defensores lotados no interior, a DPE-AM conta hoje com 260 colaboradores nessas regiões, entre servidores, comissionados, analistas, estagiários, terceirizados e cedidos pelas prefeituras.
Texto: Luciano Falbo
Fotos: Lucas Silva / DPE-AM
