‘Ensina-me a Sonhar’ inicia 2026 com palestra sobre primeiros socorros para socioeducandos

Atividade do projeto da Defensoria Pública teve apoio do SAMU, que levou aos jovens noções de atendimentos de urgência e emergência, além de motivação profissional

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) realizou, nesta sexta-feira (20), a primeira edição de 2026 do projeto “Ensina-me a Sonhar” no Centro Socioeducativo Assistente Social Dagmar Feitoza, localizado na rua Vivaldo Lima, bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste de Manaus. A atividade abordou noções de primeiros socorros e contou com a participação de 18 socioeducandos.

A aula foi ministrada pelo Núcleo de Educação em Urgência do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e marcou a retomada das atividades do programa neste ano. Durante o encontro, os adolescentes receberam orientações práticas sobre como agir em situações de emergência e aprenderam técnicas que podem ser aplicadas no cotidiano.

Segundo a defensora pública Dâmea Mourão, uma das coordenadoras da iniciativa, a atividade marca o início do calendário, com temática voltada à preservação da vida. Para ela, a parceria com o SAMU fortalece o compromisso da Defensoria em oferecer conhecimento útil e ampliar horizontes profissionais.

“Nós começamos com o pé direito. Foi uma experiência muito gratificante contar mais uma vez com a participação do SAMU, que já participou de outra atividade da Defensoria Pública e que se prontificou novamente a estar conosco, trazendo aos jovens mais conhecimentos, abordando a importância da vida, da saúde, da proteção da vida e dando ferramentas a eles para saberem agir em situações de urgência, emergência e poder salvar vidas, além de também ser uma inspiração do ponto de vista profissional”, ressaltou a defensora.

Segundo a defensora, o contato direto dos jovens com profissionais experientes da saúde pode despertar o interesse pela área. “Eles conheceram aqui os palestrantes, que são profissionais experientes da área da saúde e que fizeram a partilha da sua experiência como socorristas. Esperamos semear em alguns deles a vontade de também atuar na área da saúde”, completou.

Quem conduziu a atividade foi a professora e enfermeira Leda Sobral, que atua há 40 anos na área e integra o Núcleo de Educação em Urgência do SAMU. Ela explicou que a proposta foi aliar conteúdo técnico à motivação profissional.

“Viemos conversar um pouquinho sobre socorros, desmaio, convulsão, intoxicação, parada cardiorrespiratória, fraturas, traumas, hemorragias, mas principalmente para tentar motivar esses meninos em relação a ter um futuro, a ter uma profissão, a buscar coisas melhores”, disse.

Conforme Leda, o encontro buscou possibilitar novas perspectivas. “Falamos do serviço, mas principalmente buscamos mostrar que eles podem adquirir, através da educação e de uma conduta correta, uma melhoria de qualidade de vida para eles e para suas família”, afirmou.

Aprendizado e apoio da Defensoria

Durante a atividade, os socioeducandos participaram de demonstrações práticas, como a aplicação de torniquete para conter hemorragias e a massagem cardiorrespiratória, técnica utilizada em casos de parada cardíaca.

Um adolescente de 17 anos relatou que a aula trouxe conhecimento que pode ser decisivo em situações inesperadas. “Isso é muito interessante porque nunca se sabe quando pode acontecer alguma coisa em que eu vá precisar usar. Não quero ter que usar, mas, se ocorrer a situação, eu já sei como agir”, disse.

Ele afirmou que o Ensina-me a Sonhar contribui para o processo de escolha profissional. “Eu estou nessa fase de descobrir o que eu quero fazer, de explorar novos caminhos. O programa ‘Ensina-me a Sonhar’ me ajuda muito nisso, porque eles sempre trouxeram vários profissionais, de várias outras áreas, e eu aprendo muito aqui dentro”, declarou. O jovem também mencionou o apoio recebido da Defensoria no dia a dia. “A Defensoria Pública ajuda muito. Ela sempre está aqui para apoiar”, completou.

Outro socioeducando, de 19 anos, que está há sete meses na unidade, falou do impacto do conteúdo na vida pessoal. “Eu achei muito bom. A dona Leda Sobral falou uma coisa muito importante sobre cuidar de crianças. Eu, que tenho um filho, agora já posso ter um pouco de entendimento de como cuidar de uma criança”, relatou.

O jovem também apontou que o projeto influencia planos futuros. “Eu espero muito que a gente possa chegar lá fora, criar vontade de fazer algum curso pra se especializar na saúde”, afirmou. Sobre o acompanhamento da Defensoria, acrescentou: “A Defensoria Pública para mim é tipo uma passagem para meus sonhos. Eu canto, escrevo músicas, e eles tiram um tempo para me ouvir. A Defensoria para mim é isso aí, é a passagem para o meu sonho”, completou.

Ensina-me a Sonhar em 2026

O projeto “Ensina-me a Sonhar” seguirá com calendário de atividades ao longo de 2026 e deve ampliar as parcerias institucionais. A programação prevê a continuidade da parceria com o Sebrae e o lançamento, nos próximos meses, de uma nova iniciativa voltada à profissionalização dos socioeducandos, com oferta de cursos e articulação com instituições do Sistema S.

A equipe prepara o anúncio oficial do novo projeto, que terá foco na qualificação profissional e na ampliação das oportunidades de formação dentro das unidades socioeducativas. O programa se aproxima da marca de 10 anos de atuação na Defensoria Pública.

A coordenação do “Ensina-me a Sonhar” reúne defensores públicos que atuam nas Defensorias da Infância e Juventude, entre eles Monique Cruz e Eduardo Ituassú, responsáveis pelo acompanhamento das atividades nas unidades.

Ao longo do ano, a Defensoria deve promover oficinas, palestras e ações formativas voltadas à educação, cidadania e inserção no mercado de trabalho, com a proposta de ampliar perspectivas para adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa.

Texto: Ed Salles
Foto: Luiz Felipe/DPE-AM

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