Programação inclui rodas de conversa com mulheres indígenas, visitas às Unidades Básicas de Saúde e ao Hospital de Guarnição de São Gabriel da Cachoeira (HGuSGC)
A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), por meio do Comitê de Enfrentamento à Violência Obstétrica, realizará uma visita técnica ao município de São Gabriel da Cachoeira no período de 19 a 22 de maio. A ação marca a continuidade do trabalho iniciado em 2022 e tem como foco a capacitação de profissionais de saúde, o estabelecimento de fluxos de referência e contrarreferência para gestantes de alto risco e a escuta ativa de mulheres indígenas.
A escolha de São Gabriel da Cachoeira foi baseada nos índices de mortalidade materna e infantil, que ainda figuram entre os mais altos do estado. Com isso, a visita do Comitê de Enfrentamento à Violência Obstétrica ao município busca averiguar as condições da assistência obstétrica local, dialogar com mulheres indígenas, profissionais de saúde e lideranças locais, além de propor medidas para a redução das taxas de mortalidade materna e infantil.
Durante os três dias de programação, juntamente com representantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) e do projeto Telepnar (UFAM), especializado em telemonitoramento obstétrico para pré-natal de alto risco, o Comitê realizará um curso de capacitação voltado a enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos que atuam na atenção básica e no hospital.
De acordo com a defensora pública Caroline Souza, que coordena o Comitê representando a Defensoria Pública, o conteúdo do curso aborda o manejo de urgências obstétricas, como hemorragia pós-parto, procedimento que, segundo relatos de profissionais locais, foi incorporado após capacitação anterior e ainda hoje é lembrado.

“O objetivo da visita é contribuir para a melhoria da assistência a toda a população e, para isso, é importante ouvir os profissionais de saúde do município, que necessitam dessa qualificação”, explicou a defensora.
Outro ponto a ser discutido durante a visita é o acesso das mulheres indígenas ao Hospital de Guarnição, unidade militar que acaba sendo o único ponto de referência para a população.
A defensora pública Suelen Menta, que também integra o Comitê, explica que, enquanto o município é responsável pela atenção básica, o Estado do Amazonas responde pela média complexidade.
“É salutar que haja uma boa conexão entre as diversas esferas dos serviços de saúde para que essa comunicação se traduza em um serviço de saúde adequado e eficaz para a população.”
A expectativa é que, ao final da programação no município, alguns encaminhamentos sejam definidos. Entre eles está a estruturação do fluxo de telemonitoramento obstétrico entre as Unidades Básicas de Saúde, o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) e o Hospital de Guarnição de São Gabriel da Cachoeira, com base no projeto Telepnar/UFAM, garantindo que gestantes de alto risco tenham acompanhamento contínuo mesmo à distância, bem como a elaboração de um plano de capacitação continuada para profissionais de saúde da rede local, com foco em urgências obstétricas, como hemorragia pós-parto.
Texto: Karine Pantoja
Fotos: Arquivo / DPE-AM
