Moradores procuraram a Defensoria Especializada em Interesses Coletivos (DPEIC) para apresentar problemas estruturais e condições inadequadas de moradia
A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) realizou uma série de vistorias em áreas de risco da capital, na manhã desta quinta-feira (30/04). Coordenada pela Defensoria Especializada em Interesses Coletivos (DPEIC), a vistoria passou pelas zonas Norte, Leste e Oeste, nos bairros Armando Mendes, Monte das Oliveiras e Tarumã.
Nos locais, foram verificadas as condições estruturais das residências, o acesso à rede de água e esgoto, os riscos de desabamentos e deslizamentos, além de outras demandas apresentadas pelos moradores.
Para o defensor público e coordenador da Especializada em Interesses Coletivos, Carlos Almeida, a visita técnica tem o objetivo de identificar os problemas, avaliar o que pode ser feito e, posteriormente, garantir que a melhoria chegue de forma mais efetiva à população.
“Nossa atuação não se limita apenas a resolver as questões no gabinete. Situações como as vistas hoje são acompanhadas diariamente pela nossa equipe e demonstram a necessidade de estar em campo para identificar os reais problemas dos moradores. Tudo isso é possível com o trabalho técnico feito pela Defensoria”, destacou.
Beco Circular – Bairro Armando Mendes
As casas de madeira afundando sob a água e a passarela improvisada de acesso à rua indicam o abandono do Beco Circular, localizado no bairro Armando Mendes, zona Norte de Manaus. Cansados e em busca de uma solução, os moradores procuraram o apoio da Defensoria.
Durante a visita técnica realizada pela equipe da DPEIC, a residência de Angedilza Santos, 56 anos, chamou atenção, com parte do imóvel tomada pela água. A situação piora quando chove e, há três anos, a moradora foi diagnosticada com transtorno de ansiedade por conta do risco de desabamento total de sua casa.



“Quando chove, a sujeira entra toda na minha casa. Para nós, moradores, é muito importante a presença da Defensoria aqui, porque significa que vamos ter uma solução. A gente achava que estávamos esquecidos, mas hoje vi que não”, disse Angedilza Santos.
Complexo Esportivo – Monte das Oliveiras
“Este espaço de lazer e esporte está abandonado.” Essa é a frase escrita pelos moradores na fachada do muro principal da quadra poliesportiva do bairro Monte das Oliveiras, na zona Leste da cidade. O local está abandonado há anos e, onde deveria ser a quadra de futebol, formou-se uma piscina, acumulando a água das chuvas.
Ao lado do complexo esportivo mora Sueli Lima, 59 anos, com seus seis filhos. Para ela, o espaço representava um sonho de lazer para as crianças, mas se tornou um problema.



“Mostramos hoje a realidade desses campos e como isso também representa um risco, porque muitas crianças do bairro brincam nessa água que se formou. Hoje eu passei a ter esperança, porque vi alguém olhando por nós”, ressaltou Sueli Lima.
Comunidade Pontal da Cachoeira – Tarumã
O terceiro ponto visitado pela equipe foi a comunidade Pontal da Cachoeira, no bairro Tarumã, zona Oeste. Desde o final do ano passado, moradores do local sofrem com as consequências de uma obra realizada por uma empresa privada, que causa alagamentos e deslizamentos de terra sobre as casas.
Desde fevereiro, a situação vem sendo acompanhada pela DPEIC junto às famílias e às autoridades. Recentemente, a Defensoria garantiu o embargo da obra na Justiça e realizou visitas para avaliar as condições estruturais das residências e viabilizar, o mais rápido possível, a indenização das famílias.



“A Defensoria tem feito um excelente trabalho com a gente, principalmente quando falamos de agilidade. Às vezes, a Justiça pede um tempo maior para resolver a situação, aí a Defensoria vai lá e agiliza, porque aqui o tempo é ainda mais importante. Quanto mais o tempo passa, mais lama entra nas nossas casas”, afirmou a moradora da comunidade, Rebeca Melo.
Solução
Para o engenheiro civil Telamon Firmino, da Diretoria de Engenharia e Arquitetura da Defensoria, a partir do que foi observado nas três zonas da cidade, serão elaborados três laudos técnicos, apontando as principais necessidades que devem ser atendidas com urgência pelos órgãos competentes.


“Nós emitimos as respectivas Anotações de Responsabilidade Técnica, que vão embasar as ações efetivadas pela Defensoria, como os processos judiciais, por exemplo. De maneira geral, temos uma grande demanda nas áreas de risco, que precisam muito desse olhar técnico”, afirmou.
Texto: Camila Andrade
Fotos: Lucas Silva / DPE-AM
