Convidadas para a cerimônia, elas foram destaque nas projeções de mapping e no terceiro episódio do documentário ‘Histórias, Lutas e Transformações’
A cerimônia de recondução de Rafael Barbosa ao cargo de Defensor Público Geral do Amazonas, na última quarta-feira (11), deu protagonismo à razão de existir da Defensoria Pública: pessoas atendidas pela instituição. Como convidadas de honra, elas acompanharam a solenidade no histórico complexo Booth Line – Mercado de Origem da Amazônia, no Centro de Manaus.
Bosco Aquino não pensou duas vezes em comparecer quando recebeu o convite. O aposentado diz que a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) foi seu “segundo pai e segunda mãe” quando mais precisou.
Ele procurou atendimento da instituição em um momento crítico de saúde por indicação de um amigo. A atuação da Defensoria Pública garantiu que ele realizasse a cirurgia cardíaca que precisava para sobreviver.

Durante a solenidade, Bosco disse que carrega a DPE-AM, literalmente, em seu coração.
Eu estava com 90% do meu coração comprometido. A Defensoria agiu rápido, senão eu não estaria aqui hoje. À Defensoria Pública, eu devo a minha vida. O melhor bem que a gente tem é a vida. Então, eu devo tudo
Bosco Aquino, atendido pelo Nudesa
Ivanilde da Silva conheceu recentemente o trabalho da Defensoria, durante um mutirão. “Fui muito bem atendida. O atendimento é humanizado”, disse.
Ela precisou retificar sua certidão de nascimento, que a identificava erroneamente como sendo do sexo masculino, o que lhe causou problemas e constrangimentos.


“A Defensoria me acompanhou em várias instâncias e eu consegui resolver meu problema. Eu vi que a instituição devolve a nossa dignidade e está ao lado das pessoas. Ela é para todos que procuram. É uma instituição com quem a gente pode contar”, ressaltou Ivanilde. “Este evento de hoje foi muito especial”, completou.
Pequeno produtor rural, Carlos Alberto da Silva considerou que a solenidade, realizada em um local onde parte da sua produção é comercializada, é uma valorização do público-alvo da Defensoria Pública.

Morador do quilômetro 2 da rodovia BR-174, ele recebeu apoio da instituição para permanecer no sítio onde vive e trabalha. “Estavam querendo nos tirar da nossa terra e a Defensoria entrou nessa luta, assegurando nossa presença no local. Para nós, a Defensoria tem sido uma grande parceira e estar aqui hoje é uma valorização”, destacou.

A líder comunitária Rosineide Gonçalves, do bairro Parque das Nações, disse que o trabalho da Defensoria é fundamental para as comunidades periféricas e rurais. “A Defensoria Pública é muito solidária conosco, buscando dar legalidade à nossa moradia, tirar o título definitivo, que é o nosso sonho”, disse.
Rosineide contou que a atuação dos defensores públicos junto à comunidade não se limita à questão fundiária. “Nos ajudam com os problemas sociais, quando precisamos de documentos ou de assistência jurídica. É muito maravilhoso a gente ter com quem contar”, complementou.
Indígena da etnia Mura, a ativista social Nara de Tal conta que teve o primeiro contato com a Defensoria Pública em 2017, quando uma ordem de reintegração de posse ameaçava retirar mais de 500 famílias da comunidade Novo Milênio, na Zona Norte de Manaus.
“A gente ficou desesperado. As pessoas que estavam naquela ocupação não tinham onde morar. Lá tinha pessoa com necessidade especial, idosos, pessoas que ficaram desesperadas, principalmente porque eles não tinham o dinheiro para pagar um advogado. Foi aí que surgiu a ideia de procurarmos a Defensoria”, relembra.
“Então, procuramos e foi quando nós encontramos um acolhimento, um apoio. A partir de então a gente passou a ser visto e ouvido”, finalizou.
Destaques audiovisuais
Ao longo da noite de celebração, o público atendido pela Defensoria também foi destaque nas projeções visuais (video mapping), que, nas paredes centenárias do mercado, exibiram histórias de vidas transformadas pela atuação da DPE-AM.
O terceiro episódio do documentário “Defensoria Pública: História, Lutas e Transformações”, lançado durante o evento, destacou o desafio para atender as pessoas nos locais mais distantes dos centros urbanos no interior do Amazonas.
Texto: Luciano Falbo
Fotos: Lucas Silva/DPE-AM
