Defensoria realiza ‘Oficina do Júri’ com foco na atuação prática e na desmistificação do Tribunal do Júri

Na imagem, vemos os defensores Inácio Navarro, Karoline Santos e Lucas Matos em pé, posando para a foto, em frente ao backdrop da Defensoria, disposto no auditório da sede administrativa
Promovida pela Escola Superior da Defensoria Pública, a capacitação reuniu membros, residentes e estagiários em aulas complementares sobre técnica, estratégia e atualização jurisprudencial

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) realizou, na manhã desta sexta-feira (30), a “Oficina do Júri”, promovida pela Escola Superior da Defensoria Pública (Esudpam), no auditório da sede da instituição, localizado na avenida André Araújo, nº 679, em Manaus. A atividade integrou a programação de capacitações da Escola em 2026 e reuniu defensores públicos, residentes e estagiários, com participação presencial e transmissão online. 

“Demos início às atividades da escola com uma capacitação consistente, que dialoga diretamente com a prática da Defensoria. Ao longo do ano, teremos uma programação contínua, com cursos e oficinas pensadas para fortalecer a atuação dos nossos membros e colaboradores”, afirmou o diretor da Esudpam, o defensor público Helom Nunes. 

A Oficina do Júri reuniu 332 participantes, entre público presencial e virtual.  

Exposições

O evento contou com exposições da 1ª Subdefensora Pública Geral, Karoline Santos, e dos defensores públicos Inácio Navarro e Lucas Matos. As aulas se complementaram ao abordar, de forma articulada, os desafios da atuação no Tribunal do Júri, a prática cotidiana da defesa criminal e a atualização de teses e entendimentos dos tribunais superiores. 

Ao longo da manhã, Karoline Santos apresentou dicas voltadas à superação de obstáculos na atuação no Júri, com foco na desmistificação da ideia de que o espaço exige performances heroicas ou habilidades inalcançáveis. A abordagem mostrou a construção técnica da defesa, a atenção aos detalhes do processo, a relação de confiança com o assistido e o uso da linguagem acessível como ferramenta de comunicação com os jurados. 

O objetivo da minha fala foi mostrar que atuar no Tribunal do Júri não exige algo fora do alcance dos profissionais do Direito. O que se exige é atenção, preparo e compromisso com o processo. Não se trata de espetáculo ou heroísmo, mas de construir uma defesa sólida, compreensível e responsável, a partir do que está nos autos

Karoline Santos, 1ª Subdefensora Geral

Na sequência, o defensor público Inácio Navarro aprofundou a discussão a partir de casos concretos acompanhados pela Defensoria e a defesa no Júri como instrumento de garantia da vida e da liberdade. A aula trouxe relatos de atuações que resultaram em absolvições. 

A gente veio mostrar que o Tribunal do Júri não é um bicho de sete cabeças. É o espaço onde a vida acontece e onde a Defensoria atua para tirar pessoas da invisibilidade. Precisamos que mais colegas se aproximem dessa área porque a defesa no Júri é essencial para a proteção dos direitos mais fundamentais

Inácio Navarro, defensor público

Após a exposição sobre casos práticos, o defensor público Lucas Matos trouxe uma análise atualizada da jurisprudência aplicada ao Tribunal do Júri com foco em precedentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A abordagem analisou teses favoráveis à atuação defensiva, além de estratégias para o enfrentamento de entendimentos desfavoráveis nos julgamentos. 

O objetivo foi apresentar argumentos jurídicos e técnicas que ajudem a Defensoria a utilizar da melhor forma os precedentes mais recentes. Quando a decisão é favorável, é preciso saber aplicá-la corretamente. Quando é desfavorável, é possível distinguir o caso concreto ou construir fundamentos para a superação daquele entendimento

Lucas Matos, defensor público

Prática no Júri

A oficina contou ainda com a presença de defensores públicos que acompanharam as atividades, entre eles o defensor José Ivan Benaion Cardoso que, recentemente, retornou à atuação no Tribunal do Júri após período afastado da área.

Segundo ele, o espaço de troca de experiências fortalece a atuação profissional e contribui para a evolução da prática jurídica. 

“Esse tipo de encontro permite a circulação de ideias e a atualização constante. O Direito é uma ciência dinâmica, e esse diálogo faz bem para a mente, para a atuação profissional e para a própria Defensoria”, avaliou. 

Entre os participantes, a residente da área de Família Liz Tereza Gomes falou da importância da oficina como espaço de diálogo e atualização sobre temas que impactam diretamente a prática jurídica cotidiana, mesmo fora da atuação criminal. 

“A ciência jurídica permite essa troca constante de experiências. Discutir casos e perspectivas diferentes amplia nossa compreensão do Direito e contribui para uma atuação mais qualificada, independentemente da área”, avaliou. 

Já o residente da área criminal Matheus Luiz ressaltou que o contato com relatos reais e com a aplicação prática das teses jurídicas contribuiu para aproximar o estudo acadêmico da realidade do Tribunal do Júri. 

“Ouvir os defensores falando do dia a dia do Júri ajuda a entender como a lei funciona na prática. Muitas vezes conhecemos os artigos, mas não sabemos como aplicá-los. Esses exemplos tornam o aprendizado muito mais claro”, concluiu. 

Texto: Ed Salles 
Foto: Lucas Silva/DPE-AM 

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