Após mais de 40 anos de serviços prestados, a defensora se aposenta na virada deste ano; vocacionada, ela teve a trajetória marcada pelo trabalho íntegro e humanista
A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) realizou, neste sábado (29), uma cerimônia de homenagem à defensora pública Regina Maria Jansen Pereira de Araújo Simões, que se aposentará no fim deste ano após mais de 40 anos de profissão. A homenagem aconteceu durante um mutirão de serviços gratuitos na Escola Estadual de Tempo Integral Cinthia Régia do Livramento Gomes, na Zona Leste de Manaus.
Uma das defensoras públicas mais antigas ainda em atividade no Amazonas, Regina Jansen Simões recebeu uma placa em reconhecimento à sua contribuição, liderança, dedicação e compromisso com a instituição. “Sua trajetória foi marcada por um trabalho íntegro, com firmeza e humanidade, na missão pública de garantir direitos e acolher quem mais precisa”, destaca o certificado.
A cerimônia contou com a presença da família da defensora, colegas defensores públicos, servidores e assistidos da Defensoria Pública.

“Neste momento, a Defensoria está muito feliz e muito triste. Feliz porque homenageia uma defensora que merece todos os elogios, pela dedicação à Defensoria, mas fica triste porque é uma defensora trabalhadora, preocupada com os assistidos e que nos deixa em razão da aposentadoria”, ressaltou o Defensor Público Geral, Rafael Barbosa, durante a solenidade.
A defensora Regina Jansen Simões contou que foi pega de surpresa com a homenagem. “Fui convidada para vir participar de uma ação da Defensoria Itinerante, da qual fui uma das pioneiras porque sempre gostei e gosto do trabalho em prol da comunidade, e tive essa grata surpresa. Estou muito emocionada”, disse.
Regina Jansen Simões, que entrou no campo de defesa dos vulneráveis antes mesmo da criação da Defensoria, como advogada de ofício, diz ser vocacionada para a função. “Eu gosto de tudo que eu faço. Eu gosto de estar presente, olho no olho, não gosto de audiência online. Eu vou todos os dias lá no fórum Euza Vasconcellos e no Henoch Reis”, disse.
“Por mim, eu continuaria ad aeternum (expressão em latim que significa para sempre), até os 100 anos. Me sinto realizada profissionalmente na Defensoria. Só estou me aposentando porque dia 1º de janeiro eu faço 75 anos, que é o limite”, acrescentou.
Ela atingiu os requisitos para aposentadoria em 1º de janeiro de 2004, mas optou por seguir na ativa por mais duas décadas.
A defensora, que acompanhou as transformações que consolidaram o papel da Defensoria Pública e que fizeram a instituição crescer, revelou que pretende continuar colaborando como voluntária.
“Agora, vou fazer outras coisas e ficar como voluntária. Se não me quiserem mais como voluntária, eu vou fazer outra faculdade, gastronomia, que eu gosto de cozinhar”, brincou.
Aos novos e futuros membros da carreira, ela deixou como mensagem a importância do trabalho coletivo, reconhecendo o papel fundamental dos servidores e, sobretudo, um olhar humanizado para os assistidos, que são a razão de existir da instituição.
Eu diria aos futuros colegas que eles tratem as pessoas que nos procuram, que são carentes, como pessoas da família. Deem um abraço, um aperto de mão. Não tratem como diferentes, porque hoje em dia tem esse negócio de excelência, de doutor disso e daquilo, mas, quando a gente morre, tudo vira pó porque todo mundo é igual. Então, enquanto a gente é defensor e faz o que gosta, vamos abraçar as pessoas, porque às vezes um abraço resolve mais do que uma ação da Justiça
Regina Jansen Simões, defensora pública
















Carreira
A defensora pública Regina Jansen Simões ingressou na instituição em 1º de outubro de 1985, como advogada de ofício de 1ª classe. Ao longo dos anos, acompanhou as grandes transformações estruturais da Defensoria Pública, sendo elevada à categoria de procuradora da instituição pelo Decreto nº 12.927/1990. Em 1995, com a Lei Complementar nº 14/1995, que reformulou o quadro de pessoal, passou oficialmente a integrar a carreira como defensora pública do estado de 1ª classe.

A maior parte de sua trajetória foi na área de Família. No início dos anos 1990, assumiu funções estratégicas: foi chefe da divisão de Família, de 1990 a 1991, e também participou da Corregedoria-Geral da Defensoria, respondendo pelo expediente entre agosto e setembro de 1991.
Sua atuação se estendeu por diferentes frentes dentro da instituição. Passou pela Coordenação de Patrimônio (1992), presidiu o Fundo Especial da Defensoria Pública – FUNDEP (1993) e integrou comissões internas e grupos de trabalho relevantes, como o projeto da Defensoria Itinerante e o Grupo de Tarefa de Digitalização (2008), contribuindo para processos de modernização da DPE-AM.
A defensora também esteve em unidades de atendimento que marcaram o movimento de descentralização da instituição, como o PAC Porto, em 2003, e o PAC Educandos, em 2005. No decorrer dos anos, atuou no Fórum Desembargador Mário Verçosa, no Núcleo de Conciliação, em diversas varas da área de Família e ainda prestou assistência jurídica à Polícia Militar, auxiliando praças da corporação a partir de 1990.
Nos últimos anos, esteve lotada na 3ª Defensoria Pública de Atendimento à Família, Sucessões e Registros Públicos, tendo também acumulado funções na 1ª e 2ª Defensorias Públicas Forenses de Família. Atualmente, exerce suas atividades na 9ª Defensoria Pública de 1ª Instância de Família, localizada na unidade da rua Belo Horizonte.
Apenas nos últimos cinco anos, a defensora Regina Jansen Simões realizou, junto com sua equipe, mais de 26,8 mil atos entre atendimentos, audiências, processos, acordos e demais procedimentos.
Além do trabalho técnico, a defensora tem atuações institucionais importantes e reconhecimentos formais, como a integração no Grupo de Digitalização da DPE-AM, que contribuiu para a modernização dos fluxos internos.
Fotos: Junio Matos/DPE-AM
